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01.09.2009

Uma aventura na Pedra da Caveira! Por Márcio Nascimento !

 

 

A macabra Pedra da Caveira


Por Marcio do Nascimento Santana | 27/06/2006 - Atualizada às 18:49

Pedra da Caveira
Pedra da Caveira
Foto: Arquivo Pessoal
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Aquele dia prometia. Nós três, eu (Marcio do Nascimento), Geovane Carlete e Alexandre Lesqueves nos organizamos e decidimos escalar e pernoitar na macabra Pedra da Caveira, perto da cidade de Atílio Vivacqua (ES). A lenda é tão aterrorizante quanto a própria rocha. No meio dessa tão famigerada pedra existe uma caverna, onde foram encontrados sete esqueletos humanos, sendo quatro índios e três brancos.

O arqueólogo carioca Celso Perota os levou para o Rio de Janeiro e os identificou como sendo do final do século 19. Reza a lenda que o suposto assassino desses esqueletos era o dono das terras daquele local, cuja alma ele vendeu para o tinhoso. Então, na hora de sua morte, um urubu pousava na sua janela e a noite ele iria embora para cumprir sua sina.

O dono das terras mandou os quatro empregados índios enterrarem seu rico tesouro maldito na mata da pedra e ordenou aos seus capatazes que executassem os índios após eles terem enterrado o tesouro. Uma vez executada a ordem, ele mandou assassinarem os três capatazes e jogarem o corpo na caverna desta pedra, que em menção aos cadáveres, ganhou a alcunha de Pedra da Caveira. Quem sobe a trilha dessa pedra falando em tesouro, dinheiro ou riquezas, começa a escutar gritos de terror e socorro dentro da mata.

Esse contexto tão interessante, mais o fervor da aventura, nos motivaram a conquistar e a pernoitar nessa pedra. O local se eleva a 587 metros da rodovia estadual, que desemboca na BR 101 sul, indo para o município de Atílio Vivacqua. A cidadezinha mais próxima é o vilarejo de Praça do Oriente.

A aventura - Pegamos o ônibus Cachoeiro/Campos e descemos na desembocadura da estrada que, muito provinciana, era um convite à nossa imaginação e nostalgia. Andamos, nos identificamos com os moradores, pelo menos os poucos que encontramos. Atravessamos o bananal, que escondia a entrada da trilha no meio de uma belíssima mata atlântica de encosta, onde caminhamos, só dentro da trilha, mais de uma hora.

Identificamos a fauna e a flora e, nesse paraíso verde, de ar úmido e árvores frondosas, nos reconfortamos, nos deixando preencher pela enorme paz que só deus pai todo poderoso pode proporcionar aos montanhistas. Uma prece silenciosa se fez ouvir. Estávamos agradecidos por aquela oportunidade.

Enfim, desbravamos a selva e alcançamos a caverna, onde, após um breve rapel, estabelecemos nosso acampamento base. Alexandre Lesqueves demonstrava ansiedade, pois para ele essa era uma oportunidade ímpar, uma experiência antropológica e arqueológica única, ainda mais por ele estar se graduando em história.

Geovane feliz, recompensado pelo esforço, alpinista admirável, com grande senso de companheirismo e amizade, pegou o celular e ligou para o seu pai: “Viva, venci, selva, montanha, Brasil. Eu estou me sentindo o maior e ao mesmo tempo o menor dos homens. Maior ao contemplar o cume, pois eu venci a rocha, a pedra, e estava disposto a revelar e a explorar seus enigmas. Admirei junto com os outros a mais bela lua cheia da minha vida e um espetacular pôr e nascer do sol”.

Fomos dormir e quando acordamos fizemos mais reconhecimentos e marchamos de volta para Cachoeiro de Itapemirim, mas conseguimos carona com um grupo de jipeiros. A graça da aventura às vezes consiste em não se preocupar muito com os detalhes. Não importa o tamanho da aventura e sim o quanto você aprende com ela.

Brasil montanha e um forte abraço a todos do Webventure.

Os aventureiros:
  • Marcio do Nascimento Santana (graduado em História, acadêmico de Direito, guarda municipal, praticante de montanhismo, trekking, caving e mergulho);
  • Alexandre Lesqueves (acadêmico de História, guarda municipal, praticante de biking e trekking);
  • Geovane Carlete (acadêmico de Geografia, mecânico e torneiro mecânico, praticante de montanhismo, trekking, biking e caving).


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