Caminhadas e Trilhas

Unimed Sul Capixaba

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28.08.2010

Conheça um pouco a história de Penedo, a maior colônia Filandesa do Brasil.

 

 

 

A Região do Médio Paraíba do Sul

Originalmente ocupada pelos índios Puris, começou a ser ocupada pelo homem branco em meados do século XVIII, que buscava o ouro. Em 1744 a atual Resende - conhecida pelos índios como Timburibá - foi ocupada e em seguida batizada Campo Alegre da Paraíba Nova.

  • 1801 é instalada a Vila de Resende;
  • 1810 toda a região já se econtra coberta de cafezais;
  • 1830 ocorre a emancipação de Barra Mansa;
  • 1848 Resende é elevada de Vila a Cidade;
  • 1872 chega a Estrada de Ferro;

Uma Breve História de Penedo - Por Talitha Praça ("Nariz da Índia" - Maio-Junho/98).

A imigração finlandesa em Penedo, então distrito de Resende, diferencia-se bascamente das demais que vêm para o Brasil. Não buscam aqui esses nórdicos riquezas materiais, nem fazer o Brasil, como era comum aos povos ibéricos; não deixam sua terra por perseguições políticas, nem fogem de neuroses raciais ou religiosas. São, na época, pessoas de posição definida na Finlândia: técnicos agrícolas, técnicos em desenho de arquitetura, construtores, ginastas, lavradores, massagistas, professores e outros. Vivem uma vida sem maiores dificuldades materiais, entre amigos e a família. São de raízes protestante-luteranas.Alegres, em grupos, se reúnem e cantam suas canções natais e hinos religiosos. Sensíveis, tocam instrumentos musicais, piano, violino, órgão, kantele(espécie de cítara). Tocam e cantam.

Lidera essa imigração um visionário - poeta - agrícola, estudioso do solo, das plantas, da natureza, pessoa altamente mística, de uma fé como a certeza das coisas que se esperam e a convicção dos fatos que não se vêem. Esse homem é Toivo Uuskallio. Sente-se ele encaminhado pelo espírito a outras terras, do Sul, onde se poderia viver mais próximo da natureza e em grupos trabalhar. Líder carismático, ele traça como caminhada a busca de simpatizantes à sua causa de imigração e nisso conta com o apoio do pastor luterano Pennanem. Reuniões, debates, apresentação de propostas, e parte um pequeno grupo de cinco finlandeses, chegando ao Rio de Janeiro em 1927. Com ele vem sua esposa Liisa , personalidade firme, que se tornará esteio na colônia, e mais Frans Fagerlund, Enok Nyberg e Eino Kajander.

Maravilham-se com as belezas naturais do Rio, acomodam-se em uma pensão alemã à rua do Riachuelo, matriculam-se na escola Berlitz para aprender português em curso intensivo. Já com um vocabulário básico mínimo, viajam de trem para Barra Mansa, onde, por indicação do gerente da pensão, vão todos trabalhar na Fazenda Três Poços, propriedade do Mosteiro de São Bento. Barra Mansa é apenas a tomada de conhecimento com a terra, mas o objetivo central é a busca de local próprio para compra, estabelecimento da comunidade e colocação em prática de seus ideais.

Em 1929, após passarem por Itatiaia e visitarem fazendas em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro, agradam-se da Fazenda Penedo, também de propriedade do Mosteiro de São Bento. Perto da Cidade, com 3.500 hectares, sendo 2.000 de floresta, água pura, cortada por ribeirões, várias altitudes, propiciando cultura de plantas tropicais e européias, sede própria construída, podendo abrigar os que chegassem, esse era o local.

Compra-se a Fazenda Penedo. O pastor Pennanem incentiva na Finlândia a vinda de mais adeptos. Os jornais relatam e chega em 1929 já um segundo grupo. Mais tarde desembarcam mais finlandeses, recebidos no cais com cânticos e rosas. Outros ainda chegam mais tarde, com a colônia já fixada. Os beneditinos haviam explorado a terra com cafeicultura, exploração de lenha e carvão e, com a queda do café, o gado. Daí os morros se tornaram pastos e não havia em torno vestígio da mata atlântica. (...)

O solo na planície estava exaurido, e as saúvas exterminaram tudo. E havia os mosquitos, as enchentes tropicais inesperadas. Necessário se faz refazer o solo e persistir. Contra tudo lutam os finlandeses até encontrarem produtos possíveis de se plantar na terra trabalhada: o milho, a batata doce, hortaliças, bananeiras e até flores. Toivo Suni, já na colônia, constrói em 1930, a primeira casa como modelo às demais. Suni irá se destacar mais tarde como grande artista plástico, após a chegada, em 1948, do pintor tcheco Ian Zach, que se estabelece na colônia ao se demitir do cargo de adido cultural de seu país.

Toivo Suni

Em 1935 quase todos já têm suas casas próprias, por eles mesmos construídas. Antes hospedavam-se em comunidade na Casa Grande, com refeitório e cozinha comuns. Revezavam-se as mulheres na cozinha, na lavanderia, no passar as roupas, na horta. Aos homens cabia cuidar da terra, do plantio das construções, das compras necessárias em Resende. São, nessa época, inicialmente, vegetarianos. Abrem em Resende, na rua Albino de Almeida, uma casa comercial onde vendem seus produtos de 1932 a 1934.

Lutas, dificuldades e muitos dos que chegaram, não encontrando o paraíso esperado, retornam ou se dirigem a outros estados ou países. Há sérios problemas com pagamentos de dívidas. O pastor Pennanen conclamava na Finlândia ajuda à colonização e à imigração. Os ideais vegetarianos puros não encontram mais condições de continuidade. Voltam à criação de aves, de suínos, exportam bananas, vendem enxertos de laranjeiras, de limoeiros, descobrem a possibilidade de trabalhar a bucha.

Surge o primeiro turismo com a Casa Grande, sob a supervisão de Liisa Uuskallio . Pessoas interessadas na alimentação sadia, na experimentação da sauna como relaxante procuram o Penedo, sua paz, sua natureza, suas águas claras, seus pães caseiros, suas reuniões no clube. Outros finlandeses preparam suas casas como pensões, os Bertell, os Reiman, D.Hilja Hannonen, e o turismo vai aos poucos crescendo.

O clube finlandês, inaugurado em 1943, por muitos anos administrado com dedicação por Aksel Lehtola, vem a ser, com a sauna, a atração dos que passam por Penedo, levando o som das polcas, mazurcas e iancas. Duas massagistas finlandesas deixam também o Rio e abrem a Chácara das Duas. Brasileiros começam a trabalhar com o turismo em Penedo e abrem seus primeiros hotéis: o Xodó da Elita e o Hotel Daniela.

Eva Suni inicia a coleta de materiais e funda o Museu da Eva com objetos artesanais e a história da Finlândia. Em 1970 chega a iluminação elétrica e em 1980 o telefone. Há então o auge da hotelaria, do conforto, e da economia local. No setor das artes desde logo se destaca a tapeçaria artística de Eila Ampula, onde os motivos da terra, do homem e da natureza são transpostos ao tear com alto poder de criação, de técnica, de sensibilidade.

Essa colônia, hoje com poucos finlandeses, cria nessa região um estilo especial de vida, um interesse brasileiro pelas coisas da Finlândia, melhora a mão de obra local, inicia artesãos no tear, espalha a sauna em todo o Brasil, toca o paladar do povo com seus chutneys, geléias e pullas, difunde o gosto pelas danças finlandeses antigas.(...)

 

 

 

 

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